2011 // As 30 Melhores Músicas
Seja qual for seu método de contagem no que diz respeito ao fim de uma década e começo de outra, 2011 foi, para todos os efeitos, o primeiro ano da década (de 2010) na música, com superioridade comprovada em relação ao ano que o antecedeu.
A lista de 30 melhores músicas de 2011 do Kitchen Sink é pessoal e intransferível, baseada na insatisfação com a dominação imposta pelo rap e afins nos dias de hoje, na obsessão pelo universo alternativo e no conhecimento empírico de um musicômano que ouviu mais do que 70 e menos do que 100 discos de 2011 e tem, é claro, suas devidas inclinações pessoais. A ordem é apenas alfabética pelo nome da banda/artista.
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Alex Turner - Stuck on the Puzzle
A trilha sonora do genial Alex Turner dá vida ao ótimo Submarine, filme do amigo diretor Richard Ayoade. Bela ilustração da intimidade com a palavra que possui um dos mais brilhantes compositores da geração.
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Amy Winehouse - Valerie [‘68 Version]
Ninguém nunca entendeu porque o cover de Valerie (The Zutons, banda de Liverpool integrada por aquela saxofonista maravilhosa, a Abi Harding) nunca tinha passado de uma mera faixa bônus no segundo disco da cantora. Na homenagem póstuma, o erro é corrigido, numa versão mais envolvente e de vocais mais afiados.
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Arctic Monkeys - Suck It and See
Li outro dia em algum lugar internet afora que o cara que consegue criar uma rima com Dandelion & Burdock numa balada pop e ainda faz soar bem e romântico é, no mínimo, brilhante.
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Beady Eye - Millionaire
Ao contrário do disco do “outro lá”, isso aqui não é Oasis. Absolutamente! O exótico é ouvir Liam Gallagher, cool & cocky, cantando sobre Salvador Dali (sweet Salvador!). A composição de Andy Bell é de um nível que não se via desde sua primeira e influente banda, o Ride, nos anos 90.
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Cults – Abducted
Ok, Go Outside é a escolha mais óbvia se você procura uma música para o próximo comercial do iPod ou algo do tipo, mas a abertura do disco de estréia do Cults vale pelo álbum. É a combinação perfeita (e inesperada) de Girl Group e parede sonora ao estilo Phil Spector + guitarras.
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Florence + the Machine - No Light, No Light
Mrs Welch gosta de excessos. E ela levou o jogo a outro nível dessa vez. Com seus coros gigantescos, No Light consolida a revolução da mulher que induziu o pop britânico para muito além do R&B de Amy & Duffy, do cockney boca-suja de Lily Allen & co. e das almas perdidas aspirantes a Beyonce.
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Foo Fighters - Walk
Sou da opinião de que o melhor que o Dave Grohl faz nessa vida é tocar bateria - os trabalhos com Queens of the Stone Age e Them Crooked Vultures estão aí para comprovar. Entretanto, como em quase todo disco de sua banda do “ganha-pão”, ele acerta a mão aqui e ali, e Walk é a pérola da vez.
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James Blake - Limit to Your Love
O dubstep está aí há tempos. Mais tempo do que posso me lembrar, e tempo o bastante para irritar os fãs mais die-hard com a ascensão tardia ao grande público em 2011. Na música, a história é recorrente, e o inglês James Blake foi o messias (ou herege?) que trouxe o gênero a um novo patamar de popularidade. Das várias escolhas possíveis de um dos melhores discos do ano, entra na lista o cover soberba de Feist.
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The Kills - Future Starts Slow
Era mesmo muito difícil reaver o nível do excepcional do disco anterior, Midnight Boom, mas Blood Pressures tem seus momentos. Entre eles, o single Future Starts Slow, com batida quase tribal, guitarras com a marca registrada de Jamie Hotel Hince e Alison Mosshart, sexy-as-ever, levando a banda muito mais próxima da sonoridade de seu projeto paralelo, The Dead Weather, do que da natural influência do Velvet Underground.
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Lady Gaga – Judas
Era Natal há pouco, alguns celebravam o menino Jesus, enquanto ela bradava seu amor por Judas. Gaga é a última das iconoclastas, e absolutamente ninguém faz pop nos dias de hoje como essa mulher. Ela varreu o fantasma do hip-hop que assombrava a cena, devolveu o brilhantismo e a ambição ao gênero que outrora fora dominado por Michael Jackson e Madonna e, por isso, está fadada a habitar o Olimpo do pop.
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Lana Del Rey - Video Games
Se você não ouviu falar da maravilhosa Lana Del Rey e sua boca em 2011, das duas uma: ou seu grau alternativo é absolutamente zero, ou você esteve fora do planeta durante o ano. O furor causado por Video Games (e pela boca) rendeu contrato com a Next Model Management e expectativas estelares para o disco de estréia, que deve dar as caras nas próximas semanas.
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Laura Marling – The Muse
Folk não precisa (nem deve) ter a sonolência de um Mumford & Sons (Liam Gallagher’s fucking amish people). Mrs Marling prova. A capacidade lírica, a dinâmica e os maneirismos vocais que sugerem uma “fase Joni Mitchell” fazem de The Muse uma verdadeira inspiração.
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Lykke Li – Get Some
“I’m your prostitute; you gon’ get some.” Ah, se a sexualização da música fosse algo mais que o sucesso pelo videoclipe semi-nu ao estilo Beyonce & cia… O universo musical seria certamente algo melhor. Mas ainda há esperança - ao menos num universo alternativo onde Lykke Li, do alto de sua ironia, é quem dá as cartas.
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M83 – Midnight City
Anthony Gonzalez e seu M83 é a catarse aplicada ao indie-eletrônico. Nenhum outro hit foi tão absolutamente grandioso e viciante em 2011. “Você pode acabar ouvindo por um número ridículo de vezes sem sequer precisar saber sobre o que Gonzalez está cantando”, dizem por aí. Óbvio que tamanha grandeza não merecia nada menos do que clipe com crianças mutantes e tudo o que se tem direito.
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Mélanie Laurent – En T’Attendant
Mais que um mero rostinho bonito, Mme Laurent finalmente levou a cabo as aspirações musicais incitadas pelo convívio com seu ídolo e parceiro Damien Rice. No clipe da principal música do disco (e também faixa título), ela se veste alà Julian Casablancas, se esbalda em meio a discos de vinil (The xx notavelmente entre eles), canta e encanta.
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Miles Kane – Rearrange
A estréia como artista solo em Colour of the Trap foi ligeiramente curta na tentativa de emancipar Miles Kane, mesmo porque o amigo (e gênio nas horas vagas), Alex Turner, co-assina metade do disco (Rearrange inclusive). Mesmo assim, a qualidade das performances e um punhado de boas músicas escritas sem o parceiro, sugerem que o jovem Paul McCartney lookalike pode sim ser muito mais do que apenas o melhor amigo do líder do Arctic Monkeys.
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Noel Gallagher’s High Flying Birds - The Death of You and Me
Parece que mesmo quando para o bem, Noel Gallagher não consegue fugir da sina de repetir a si e aos outros. O lead single do projeto solo do Chief é, possivelmente, o momento de maior brilhantismo do disco, não deixando, ainda assim, de ser uma imensa colagem dos discos de cabeceira do Gallagher (The La’s, The Kinks, George Harrison, Paul Weller?). No fim das contas, é Noel fazendo o que sabe de melhor: se apropriando de elementos alheios para fazer música com sua duvidosa e geniosa identidade.
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PJ Harvey - The Words That Maketh Murder
Ouvir sobre guerra já nos saturou. Escrever sobre guerra na música é um risco, e o padrão estabelecido nesse tema é dos mais altos (Blowin’ in the Wind, Gimme Shelter). Polly Jean Harvey, entretanto, não deve nada a esses gigantes do passado, e criou um disco destinado à história. A peça principal do disco, com suas imagens de horror (“soldiers fall like lumps of meat”) e a brilhante ironia emprestada do cantor Eddie Cochran (“what if I take my problem to the United Nations?”) soam como hino para nossos tempos beligerantes.
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R.E.M. - Mine Smell Like Honey
Ninguém realmente sabia que Collapse into Now seria o disco de despedida daquela que foi uma das bandas seminais do rock alternativo, mas o R.E.M. garantiu que a despedida fosse quase tão energética quanto a estréia no início dos anos 80. A voz e letras idiossincráticas de Michael Stipe, as guitarras diretas de Peter Buck e os backing vocals inconfundíveis de Mike Mills estão lá, e conferem o DNA R.E.M. ao disco. Fica a saudade de uma banda que, após mais de três décadas de rock, se vai com dignidade imaculada.
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Radiohead – Lotus Flower
The King of Limbs pode não ter alcançado aquele nível que sempre se espera de um disco do Radiohead (nível melhor da década), mas quem ouviu Lotus Flower sabia que aqueles exatos 5min de música eram tão bons quanto qualquer coisa que a maior banda alternativa do mundo já fez. O videoclipe já é clássico e dispensa comentários.
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Real Estate – It’s Real
Na relação de amor e ódio com meu canal de mídia musical predileto, um dos motivos de amor é o fato de encontrar, ano após ano, bandas alternativas extasiantes que me fazem acreditar que a cena musical da minha geração não deve nada a qualquer outra que já houve. Música orientada por guitarras oníricas, melodia infecciosa e o sentimento de se estar diante do indie rock elevado à perfeição, essa é It’s Real e esse é o Real Estate.
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Red Hot Chili Peppers - Did I Let You Know
Como meus amigos adoram Red Hot Chili Peppers! E eu, mesmo nunca tendo conseguido realmente internalizar o som desses caras, também não consegui passar ileso pela latinidade de Did I Let You Know. Na verdade, ninguém que eu conheça com mínima capacidade auditiva conseguiu. No Brasil a música se tornou tão favorita que virou single exclusivo para o país.
[YouTube (live) / SoundCloud]
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Ryan Adams – Dirty Rain
Mr Heartbreaker voltou, solo, pronto para realizar o desejo de 10 em cada 10 fãs, emular a sonoridade do primeiro e amado disco e partir muitos outros corações. Ashes & Fire marca o mais próximo que Ryan Adams já esteve do disco de estréia, e Dirty Rain, com sua melancolia cinzenta, é candidatíssima ao já extenso rol de clássicos do cantor/compositor.
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St. Vincent – Cruel
Sobre camadas e camadas de guitarras processadas ao estilo Phoenix, Annie Clark canta sua crueldade com um tom quase ditoso e faz entender porque é uma das figuras mais festejadas do universo musical alternativo. Vale também pelo videoclipe, que foi sem dúvida um dos melhores do ano.
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Stephen Malkmus & the Jicks – Tigers
Se você tem alguma ligação com a cena alternativa americana dos anos 90, é certo que essa voz e essas guitarras te trouxeram um aperto no coração ao lembrar do gloriosamente irreverente e mais do que influente Pavement. Se o disco do mito noventista não chega a empolgar, a faixa de abertura é um verdadeiro Gold Sound.
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The Strokes - Under Cover of Darkness
No fim, o Angles passou longe de ser um disco que será lembrado para sempre, como seu irmão mais velho Is This It. Mas é de se duvidar, no entanto, que algum stroker não tenha ido ao delírio ouvindo as guitarras de Under Cover of Darkness e imaginado que, sim, os Strokes poderiam ter feito de novo.
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Tom Waits – Bad as Me
Bad as Me é um monstro em forma de música. O retorno épico do lendário Tom Waits foi uma das surpresas do ano e a faixa título de seu disco te convida a deixar a máscara cair e conferir em que forma anda o Charles Bukowski da música. Afinal, you’re the same kinda bad as me.
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The Vaccines - A Lack of Understanding
A banda hype da NME da vez lançou nada menos do que 6 (isso mesmo, SEIS!!) singles do seu curto e ótimo disco de estréia. Difícil entender porque A Lack of Understanding não foi um deles. Guitarras inglesas, um barítono e futuro pela frente.
[YouTube (live)]
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Veronica Falls - Found Love in a Graveyard
A banda é proveniente da efervescente cena musical de Glasgow, tem My Bloody Valentine e oitentistas afins entre as influências e flerta com o twee pop. Não tinha como dar errado. Found Love in a Graveyard está por aí desde 2010, mas se tornou a faixa de abertura do ótimo disco de estréia da banda. Dark cuteness.
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Yuck – Get Away
Quando li sobre Yuck pela primeira vez e descobri que se tratava de uma banda britânica com tendência a revival dos anos 90, fiquei com o pé atrás (“oh, céus, mais um novo Oasis?”). Aí veio a grata surpresa de saber que a música dos 90s que os interessa é a americana, e a parte boa (o Lo-Fi, não o Grunge). Ecoando Dinosaur Jr., Superchunk, Pavement e, mais profundamente, os alt-kings do Sonic Youth, Get Away é definitivamente uma das músicas do ano.
[YouTube / SoundCloud]
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